segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Dentro do mar tem rio

Perguntaram a Maria Bethânia, em entrevista do jornal O Globo, o que tem dentro dela. A resposta, segundo a repórter, veio acompanhada de mais um dos sorrisos iluminados da cantora - "Tem de tudo: erro, acerto, bondade, maldade, beleza, uma porção de coisas. Mas dentro de mim tem a calma de quem sabe que dentro do mar tem um rio. E isso simplifica tudo, porque nos faz compreender que tudo é fonte onde se pode beber."

Me lembrei do texto do Osho - O Rio e o Oceano - onde o menor se torna o maior por pura coragem e entrega. E parei para pensar o que tenho dentro de mim.

Concordo com a Bethânia, quero acreditar que dentro de mim tem de tudo, uma porção de coisas boas e um tiquinho de coisas ruins. Uma humilde dose de sabedoria que me aponte a diferença entre o que posso mudar e o que não posso. A coragem do rio para mudar as que posso, serenidade para aceitar as coisas que não.

E mais simplicidade para poder responder que rio e mar, pequeno ou grande, bom ou ruim, mutável ou imutável, são fontes de igual importância.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Ode ao Rio

Viver em cidade diferente daquela da certidão de nascimento ou da certidão de crescimento requer período de adaptação, curto ou longo, mas requer. Escolhido ou não, o lugar para onde nos mudamos deverá ter, cedo ou tarde, cara de casa. São alguns pequenos mimos que nos fazem sentir a cidade ou a cidade se sentir nossa. Pode ser tão simples quanto escolher a nova padaria, tão delicado quanto escolher os novos médicos.

Quando viajo, gosto de brincar de escolher novas cidades para morar, imaginando como seria não estar ali apenas de passagem: a diversão de ficar é diferente da diversão de estar. Minha lista de cidades eleitas, as que poderiam ser as próximas, só cresce. O que pode não dizer muita coisa já que em nenhum momento o Rio esteve nesta lista...

Ontem, de volta, depois das festividades natalinas em Beagá, fui consumida pelo prazer de morar na cidade que os cariocas chamam de ‘maravilhosa’ (talvez ainda influenciada pela overdose de Vinícius e Tom do final de semana). Só não dei o braço a torcer porque estava pedalando.

Percebi que esta cidade me conquistou não só pelas decisões importantes que aqui tomei, também – e para falar apenas de alguns – pelas cores e nuances do mar e da areia, pelo côco regado pelo pôr-do-sol de Ipanema e Leblon, pela energia das muitas pessoas na rua, pela diversidade do prazer barato, pelos amigos encontrados, até pelo cheiro de milho cozido. Este Rio que já me mudou tanto e que nunca esteve nas minhas possibilidades...

A beleza do Rio a passeio e do de quem vive deve ser igual. Mas aprendi que o diferente do Rio de ficar é que tenho a chance de ser mudada, todos os dias.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Sábios e nuvens

Conversando outro dia falamos sobre a frase do verdadeiro sábio que sabe que nada sabe.

Há poucas verdades maiores do que esta (penso saber). Afinal, todos os dias percebo que nada sei ou, quando estou quase lá, percebo que não era nada do que achava saber, que muitos passos atrás são necessários para tentar consertar o porvir.

Em viagens então, quando o tempo é escasso para entender o novo espaço, cultura, grupo, país... será que entendemos pelo menos um pouco? E o que pensamos saber antes influencia o que pensamos aprender?

Auto-conhecimento mutante, como observar nuvens que mudam sempre de forma ou são vistas de diferentes maneiras por diferentes pessoas, em diferentes espaços de tempo.

Ou, como mais sabiamente diria Joni Mitchell: I've looked at clouds from both sides now From up and down, and still somehow It's cloud illusions I recall I really don't know clouds at all...

domingo, 16 de dezembro de 2007

Das coisas grandes

Pedalei para esquecer as coisas que não consigo fazer.
E também para me lembrar das que posso.
Sentei à praia para enxergar que minhas dificuldades são muito pequenas diante do imensurável explodir de cores.
De céu, areia e mar.
Me apequenei para ser invadida pela grandiosidade da beleza.
Mesmo regada a água de côco de 3 reais (no calor do verão carioca não há promoção, nem de côco)...

 
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