segunda-feira, 26 de maio de 2008

Estrada selvagem

Devorei muito Jack Kerouac e Ginsberg nas minhas viagens, momentos em que uma visão mais romântica da vida e, depois entendida utópica, pareciam pedir companhia. De certo, por serem períodos de solidão e busca interna através de aventuras externas me divertia entender os caminhos e estradas tomados por outros, antes.

No filme 'My Blueberry Nights' há uma fala do Jeremy (Jude Law) onde ele diz que 'mesmo estando aberta a porta a pessoa que lá está pode já não ser a mesma'. De tudo no filme - que deixou a desejar nas minhas expectativas - foi o diálogo que bateu mais perto de casa. Pensei nas vezes em que morei fora, em todas as idas e todas as voltas, em tudo o que aprendi enquanto ninguém olhava, nos novos vínculos e relacionamentos que criei, por vontade ou por circunstância.

Mais: me lembrei claramente do vazio que sentia quando voltava e me encontrava com as pessoas que ficavam. Como parecia que eu tinha caminhado léguas de distância enquanto aqueles que sempre partilharam da minha vida pareciam ter ficado no mesmo lugar. E como era difícil contar o que eu tinha vivido pra quem não tinha ido. Aprendi a viver minha própria satisfação, com certa melancolia.

Alexander Supertramp adentra o selvagem do Alaska em busca de uma existência mais monástica em 'Into the Wild'. Só não se desapega dos livros que carrega como companhia no solitário ônibus que faz de morada. Ao final de tudo, lendo Tolstoy, ele realiza e clarifica, escrevendo no texto: 'Happiness is only real when shared'.

Melancolia à parte, meu selvagem foi perto.

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Did's disse...

Amei o banner novo cris!!! =)

 
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