segunda-feira, 14 de julho de 2008

Silêncio que conversa

Em um retiro de ioga do professor Hermógenes fomos convidados para uma caminhada holística. Por holística entenda-se um momento pela mata em silêncio, sem troca de palavras ou impressões, apenas o comungar com a natureza. Lembro bem do nervoso de algumas pessoas, que na incapacidade de manter o silêncio, buscavam em sussuros compartilhar com amigos e companheiros aquele momento.

Enquanto caminhava pela Claudio Coutinho, às margens do Morro da Urca, tentava isolar o exagero de conversas ao meu redor, ouvindo apenas o som do mar que batia nas pedras logo abaixo. Senti o cheiro do mar, a umidade salgada que chegava com o vento e frescor da enorme pedra que margeia a lateral da pista; sentidos que se somavam ao abafar do silêncio que me invadia.

Pensei na máxima de que a partir de determinada data da gestação a mãe deve conversar com seu bebê, imagino que a afirmação envolva falar em alto e bom som. Se esta é a curva padrão não me incluo. Percebi que a minha conversa com o Pedro é silenciosa, tão plena quanto o meu comungar com o que me cerca, tão natural como se fossémos um só.

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