quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Cadáver perfeito

A entrada de 'Veludo Azul' de Lynch é assustadoramente bela, aquele céu de 'brigadeiro', a cerquinha branca aspiracional, o contraste de cores, crianças a caminho da escola... A arma na TV, seguida pelo entupimento da mangueira definem a virada de espírito, anunciando algo que se esconde na relva.

Esta semana, alguém me perguntou se estava no meu 'inferno astral' (e pensei: 'as pessoas realmente acreditam que existe inferno astral nas proximidades de nossa data de aniversário!'). Ironia ou não, ontem fui consumida pelo medo de não dar conta, sentimento novo para alguém que sempre se achou capaz de tudo, fosse algo inato, fosse algo que pedisse dedicação para o aprendizado. Tive um momento de desespero e catarse de lágrimas, soluçantes, também pouco normal. Tal como um bebê que dorme quando finalmente se cansa e se 'seca' adormeci, um recurso de fuga, parte de um aprendizado tardio.

Amanheci ao som de 'Blue Velvet', certa de que, por mais desconhecido o escondido na relva, poderá ser belo e perfeito como o cadáver de Lynch.

2 participações:

Te amo do umbigo! disse...

Medo deste post

Cris disse...

tomara que fique em um só cadáver...

 
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