segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Conteúdo e contexto

Na faculdade, era divertidíssimo ver a cara das pessoas quando comentava que lia as revistas de fofoca e as colunas sociais dos jornais. Como se isto resumisse meu escopo de leitura! A bem da verdade é que sempre gostei de ler de tudo, das revistas velhas de consultórios médicos aos famosos e entitulados 'clássicos'.

Entra na estação de metrô de Washington D.C. e pára próximo a porta um violinista, durante a hora do rush. A música é belíssima, mas poucos são os ouvidos que param para ouví-la. O violinista, sem rótulos ou identificações, é mais um daqueles músicos 'famintos' que com sua caixa aberta aceita indiferente as moedinhas que lhe são oferecidas.

Quem lê ou valoriza qualquer coisa que seja pela capa pode desenvolver gostos e afinidades que não são verdadeiramente seus: afinal, quem foi que disse que você precisa gostar de "Ulisses"? Será que os defensores de "Ulisses" o fazem por que realmente gostaram do livro ou por se tratar de um clássico?

A julgar pelos passantes do metrô da capital americana "Ulisses" só é "Ulisses" porque alguém um dia o disse. Assim como o ingresso no valor de USD100 para assistir em Boston, alguns dias antes o violinista Joshua Bell. O mesmo que tocou por 43 minutos - de graça - um Stadivarius de 1713 no valor de USD3 milhões, naquele dia em Washington.

1 participações:

Polêmica disse...

O artista de rua não é valorizado, as pessoas não curtem ficar assistindo artistas de rua. Elas pensaram que o violinista era apenas mais um pobre que ganha a vida tocando instrumentos no metrô e não deram a devida importância para ele! Mal sabiam que uma apresentação dele custa caríssimo! Se tivessem o reconhecido teria sido bem diferente mas, como acharam que era um artista de rua, nem se deram ao trabalho de olhar para ele.

Beijão!

 
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