quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

A barriga é sua?

Grávidas perdem o controle de várias coisas durante as 40 semanas da gestação. Antes, eu imaginava que não aguentaria as mãos que insistem em pegar na barriga. Gestação adentro, percebi que o pior são mesmo os palpites. Aliás, quase todo mundo acha que tem certo conhecimento de causa sobre diversos aspectos do seu momento de vida. Logo aprendemos que o melhor é ouvir, agradecer e seguir em frente. Descontroladas, mas em frente.

Além da grandiosidade, o que mais chama atenção nos Templos de Angkor, é a presença eminente da natureza. É impossível não sentir o cheiro do verde, de sua umidade e calor. Somos rapidamente absorvidos pela mágica floresta que cerca e esconde cada maravilha construída ali. Conta a lenda que tamanho espaço verde, quando invadido pelo homem para construção de tão imensas edificações, sofreu.

Vejo o sol sair e atingir minha varanda. São vários dias de muita chuva no Rio e o astro rei chega trazendo certo alívio. Mesmo que breve. Em outras regiões do Brasil há enchentes que assolam cidades, desabrigam pessoas, derretem morros, fecham estradas, destroem casas. É quase a natureza dizendo 'O que vocês fazem aqui, eu cheguei primeiro", pedindo de volta o seu espaço.

Observando as gigantes raízes e árvores que furam e derrubam os templos no Cambodia aprendi que poucas coisas podem ser controladas ou contidas e que o que é mais natural garante ou retoma seu lugar. Assim espero aconteça com a barriga que hoje não é minha...

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

De susto em susto

Na reta final da gravidez algumas situações me colocam, de verdade e talvez definitivamente, no mundo adulto. Um dos choques da semana está em aprender a preencher a carteira de trabalho da "moça faz tudo" que ficará o dia inteiro em casa para me dar certa paz de espírito na nova fase que se aproxima. Até onde me lembro, assinar carteira de empregada era uma coisa de 'pai e mãe'. O outro susto foi circular no supermercado pensando ingredientes para a comida de dia-a-dia que 'toda mãe que amamenta' precisa comer, assim me foi dito. Só não forneceram o manual de instruções. Veja que da maneira como saí do supermercado devo passar certa fome nos primeiros dias até saber o que comprar.

A amiga que cunhou a expressão 'de susto em susto' para cada novo momento da experiência gravidez-maternidade me enviou um dos textos mais sensacionais sobre o que, até o momento, me parece o grande susto de todos: ensinar, dar exemplos, direcionar, CRIAR o filho que vem! Esta responsabilidade e direcionamento, que tantas vezes questionamos quando era feita pelos nossos pais, fica mais concreta a cada centímetro de crescimento de barriga. Me faz, sem dúvida alguma, ter grande admiração pelo trabalho feito em mim!

Há ainda o receio de que serei, tal como Antonio Prata no texto imperdível que a Ceci me enviou, honesta demais com a criança que chega. Que não saberei alimentar a ilusão do coelhinho da páscoa (afinal fui eu quem contou a irmã mais nova que papai noel não existia). Que não passarei a mão na cabeça ou aceitarei determinados comportamentos que, hoje, considero absurdos.

Talvez o susto maior seja me dar conta de que SIM, serei a rainha da criatividade e que alimentarei algumas meia verdades de maneira natural. Tudo para garantir a máxima felicidade desta criança tão esperada. Que poderá descobrir o mundo 'chupa pinto' (leia o texto!) por conta própria.

 
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