Na sexta-feira tive uma enxaqueca como há tempos não tinha. Daquelas de doer o crânio, confundir os sentidos, disparar as lágrimas, dar ânsia de vômito (que de fato aconteceu). Tudo isso acompanhado de perto pelo meu filho de menos de 1 ano, quem hora me olhava assustado hora dava gargalhada de um som menos normal que eu emitia.
Não foi nem de longe o mesmo que passar mal sozinha, quando o que acontece com você diz respeito apenas a você. Meu receio naquela noite foi não dar conta dele quando fosse preciso. Pra completar ele estava com conjuntivite. Eu não podia me dar o luxo de estar mal. Simplesmente tive que ficar boa.
Quando a Hebe completou 80 anos assisti uma entrevista dela na Marilia Gabriela. Em determinado momento a Marilia perguntou pra Hebe, quanto tempo pra chegar alguém caso acontecesse alguma coisa com ela, ou seja, existe alguém com a Hebe em casa sempre? Era o ponto onde a Marilia queria chegar, mas a pergunta foi feita em função de um medo que a entrevistadora revelou a sua terapeuta, o medo de morrer sozinha e de ninguém lhe encontrar. Invertendo o jogo, a entrevistada devolveu a pergunta sem responder: 'Mas por que você se preocupa com isso?'. Na época, não entendi o medo da Marilia Gabriela e achei poderosa a 'resposta' da oitentona Hebe.
Depois da sexta passada, sigo achando a resposta da Hebe poderosa e inspiradora. Mas já entendo a preocupação da Gabi. E carrego meu celular pra todo canto. Quero achar alguém quando precisar, e não ser achada quando a sorte quiser.
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Celular à flor da pele
Postado por
Cristiana Rodrigues
às
17:28
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