"Tem que saber ler as mãos. Qual alma cigana, ter disposição para viajar a qualquer instante. Escrever é uma viagem. Uma busca de não sei o quê. Uma doida aventura."
De sexta a hoje me surpreendi de várias maneiras. Na sexta comi biju de tapioca preparado com carinho por alguém que nem gosta tanto de cozinhar mas o fez por nós que chegávamos a Salvador. No sábado estive na Igreja do Senhor do Bonfim, fui benzida por um divertido pseudo curandeiro gay, ganhei fitinha roxa (que vá, é perfeita para proteção), almocei sorvete de tapioca com um toque de sorvete de amendoim, lanchei acarajé (dois, veja bem), jantei uma casquinha de siri (de siri e aí está pra que mais?), apaguei à noite (levantando apenas para comer um pedaço de pizza perfeitamente deixado pelos anfitriões em cima do fogão) e descansei toda a madrugada já que Pedro agora deu pra dormir a noite toda (falei da fitinha e do curandeiro gay?!). No domingo conheci o Pelourinho, provei o melhor abará (até gostei deste da Regina) e almocei acarajé (é preciso aproveitar essa coisa de estar in loco, minha gente), aproveitando a 'cena' de comer acarajé (me entenda logo que esta é a pimenta da observância). E pra começar bem a semana (porque é preciso reconhecer o que é importante) fui cobrada por uma amiga de atualização no blog, saudosa dos textos (quem diria essa minha vaidade pessoal) e, de empréstimo de outra escritora um livro. Sim, a cereja do bolo: "Esses livros dentro da gente", de Stela Maris de Rezende, de quem retiro as aspas que aqui publico. Tão gostoso que li numa sentada, de risada em franzir dos lábios reconhecendo em mim a cada passagem.
"Tem que ter uma vaidade saudável. Gostar da sua própria pessoa, do seu jeito próprio de ver, ocultar e revelar o mundo. Não precisa ser exibido nem metido a sebo, ó Cristo Redentor, mas faz bem se revigorar com os vôos pessoais. Com os tombos que só você sabe levar. Esses seus mergulhos na imensidão do nada. Negar a si mesmo é que é uma viagem sem volta, avie bem."
De mineira pra mineira, tal como os degraus do Bonfim e com os olhos cheios de lágrima - de alegria e melancolia dá igual - lavei minha alma.
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
A lavagem dos degraus
Postado por
Cristiana Rodrigues
às
23:21
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