sexta-feira, 15 de julho de 2011

Meu filho, saiba quanto custa o que você merece

Esta semana circulou pelas redes mais um excelente texto da Eliane Brum para Época. 'Meu filho, você não merece nada' ecoou com força nos feeds dos meus amigos e dos amigos dos amigos no Facebook, recebi por email, foi curtido por mais de 120000 pessoas on-line. Antes de colocar meu ponto devo reforçar que é mais um texto muito bem escrito pela Eliane a quem já citei aqui em outro post. Não refuto o argumento dela, acho que todos conhecemos àqueles jovens que ela descreve como despreparados, entendi aqui no quesito 'horas bunda', 'tempo de vôo', 'vida per se'. Acho até, que apesar do foco do texto da Eliane recair sobre os 'jovens', encontramos diariamente em todas as gerações gente perdida neste detalhe fundamental da vida, os Peter Pans que ainda não encararam o que custa crescer.

Ao ler o texto também senti que faltou falar do outro lado, faltou falar daqueles muitos 'jovens' que conhecemos que correm atrás todos os dias, viram noites nos escritórios, que já perceberam que a vida não está aí pra nos dar nada de graça, tendo em casa o exemplo da necessidade deste esforço ou não. Jovens que sofrem com fracassos, que crescem com os erros, vendo ou não nos pais suporte financeiro e/ou emocional. Jovens que encontraram em outras pessoas, até mesmo no ambiente de trabalho, alguém em quem confiar, pedir uma mão, um conselho, um direcionamento, um 'por onde agora'. Pensei ainda no quão diferentes são - entre si - os filhos dos mesmos pais. O argumento de que a criação de cada um é diferente é válido, porém, tão diferente? A ponto de muita gente não se reconhecer em um irmão?

Já vi conhecidos e amigos criados com tudo, suporte financeiro e emocional, que precisaram se ausentar deste ambiente perfeito de CNTP pra se encontrar. Que pareceram (alguns parecem até hoje) entender todo o conforto a que tiveram acesso como um limitador ou como um fardo. Como se o mundo dissesse (e eu também ouvi isto na minha vida): 'Ah, assim é fácil, tudo entregue de bandeja. Quero ver fazer sem.'. Admiro ainda quem cresceu sem nada, tenho muito próximo exemplos de superação completa. Lembro de viajar pelas estradas no Brasil, passando por minúsculas cidades e pensar: 'Se você nasce aqui, como sai se quiser?'. Desconfio até, que ter acesso a tudo tem peso semelhante a não ter acesso a nada. E que vai depender de como cada um topa encarar o desafio, o que provar pra quem. Sou fascinada por estes dois extremos.

Sempre dormi ouvindo da minha mãe um 'Minha filha, você é linda, você é inteligente, pode fazer da sua vida o que quiser.' Ao contrário de me acomodar isso me deu um grande desafio de usar toda esta confiança em mim de todas as noites pra alguma coisa concreta. Também, pensando aqui com meus botões, sempre fomos em casa incluídos nos eventos, nas viagens, nos momentos dos meus pais. Claro, faziam viagens só eles, porém, estavam presentes em vários outros momentos, pareciam reforçar que erámos parte de suas vidas. Oportunidades à parte, não fiquei com a sensação de que a vida seria fácil, meus pais souberam dizer o que podíamos e o que não podíamos, o que era nosso e o que era deles até que conquistássemos nossa 'independência'. Meus pais me diziam que eu podia ser feliz, mas também sabiam dizer que pra alcançar a felicidade em plenitude, tal como imaginávamos o que seria esta felicidade, havia um pedágio, deles e da vida.

Então, direi pra meu filho que agora crio com todas essas influências, para o bem ou para o mal: 'Meu filho, você merece o mundo, mas ele não é grátis'.

3 participações:

Roberta Lippi disse...

Está incrível seu texto, amiga. E gosto mais da sua frase do que da Eliane. Acho demais dizer que um filho não merece nada. A questão é que, se ele fizer por merecer, por que não?
Adorei: "Meu filho, você merece o mundo, mas ele não é grátis"
Beijos beijos

Cristiana Rodrigues disse...

Obrigada, Ro! Vindo de vc o comentário é ainda mais valido e especial!

Marina disse...

Cristiana, cheguei no seu blog através do Mamatraca! Adorei a adaptação da frase, sensacional!
Já tinha lido o texto e ele sempre me faz pensar!
bjs,

 
BlogBlogs.Com.Br