Finalmente comecei a assistir Mad Men, série americana tão bem falada nos últimos tempos. Pra quem não conhece o pano de fundo é anos 50, Estados Unidos, mercado de propaganda, Madison Ave. Tudo isso amarrado em figurinos, ambientação e contextos perfeitos pra despertar o antropólogo em todos nós. Foram apenas 3 episódios, suficiente pra ficar viciada e para perceber que triste lugar as mulheres ocupavam (?) na sociedade. Ou perfeitas e frustradas donas-de-casa ou secretárias e telefonistas em grandes empresas (afinal o que mais teriam capacidade pra fazer?) ou o tipo livre arbítrio, artístico, solteiras e, sim, amantes dos homens casados com as 'do lar'.
Mais ou menos 60 anos depois - várias ditas revoluções femininas - ainda discutimos o assunto 'mulheres', 'girl effect', 'women power' como se fosse uma novidade, como se ainda fóssemos, uma minoria, digna de tratamento especial, análises, dias comemorativos em calendários. Há quem defenda que é positivo, que pelo menos está em pauta. Eu fico com a sensação de que quando muito se fala, pouco se efetiva.
Há uma palestra sensacional (e muito poderosa) do TED, ainda não tanto divulgada considerando que já completa um ano, da Sheryl Sandberg, COO do Facebook, onde ela fala dos pqs de poucas mulheres líderes, grandes executivas, presidentes. E ali, sem deixar de valorizar toda a conversa que circunda o tema, ela coloca grande responsabilidade nas próprias mulheres, no que nós podemos fazer pra garantir o nosso valor e nosso reconhecimento. Reproduzo em inglês as principais mensagens e deixo o link no final do post para que assistam, mulheres, assistam!
(1) Sit at the table -- have the confidence to reach for opportunities;
(2) Make your partner a real partner -- share responsibilities at home
so you and your partner can both pursue careers; and (3) Don't leave
before you leave -- challenge yourself at work so that when you have a
decision to make, there are compelling reasons to stay or come back.
Vivo ou vivi o discurso da Sheryl algumas vezes. Tirei 10 no primeiro item, não sem fazê-lo muitas vezes com um excesso de humildade, preocupação que realmente não vejo nos homens. O terceiro sempre me atormentou e na certa fui das mulheres que mesmo antes de casar já pensava em como acomodaria os filhos na rotina de trabalho que imaginava eu teria, meu deus como pensei nisso, culminado em um momento de catarse durante a gravidez onde chorei horrores pensando em como não daria conta. O segundo é sempre uma aposta, afinal não preenchemos formulário de pesquisa antes de nos conectarmos emocionalmente com alguém, algumas facetas aparecem ao longo dos anos, outras apenas quando nascem os herdeiros, quando novos dados são lançados.
Aceitei em setembro um desafio de trabalho que mudou toda minha dinâmica familiar, forçou um re-balanceamento nas responsabilidades da casa e do filho, incluiu um fator distância física no relacionamento com o marido e com a cria. Estou feliz com a decisão, entendo como uma oportunidade que me coloca novamente em um caminho que abandonei no passado (olha o ponto 3 da Sheryl de novo aqui). No entanto, ouço vários comentários, recebo vários olhares, sou constantemente testada por sentimentos de culpa aventados por terceiros que escutam sobre minha rotina. Não é fácil. Mas se quisermos garantir um lugar nas mesas de liderança precisaremos renunciar - em parte - alguns papéis que consideramos por muito tempo vitais. Precisaremos criar melhores filhos e filhas. Talvez, principalmente filhos.
Em Mad Men, o personagem principal dá um ok pra esposa consumida por tremores consultar um analista. A princípio achamos legal da parte dele, a mulher parece gloriosa com a oportunidade. O que o episódio revela no final é que ele ao chegar em casa liga para o analista pra saber detalhes da consulta, o analista (homem) sem pudores conta tudo.
Não sei vocês, mas eu quero pagar meu próprio analista. Aliás, quero ser o analista. E quem sabe também o protagonista de sucesso da minha própria estória.
Palestra TED aqui
Sheryl Sandberg escreve sobre sua palestra aqui
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
Escolha a sua mesa
Assinar:
Postagens (Atom)
